terça-feira, 28 de julho de 2009

Democratização x qualidade da informação



Temos falado insistentemente nisso, mas já que a coisa aconteceu, vamos ter que repetir o assunto. Desculpa a quem já cansou, mas não dá pra ser diferente. É isso aí, agora é certo, não precisa de diploma pra ser jornalista. O STF decidiu por 8 votos a 1 pela não obrigatoriedade da exigência de diploma para jornalista. Temos que discutir a questão, embora a discussão seja inútil por dois motivos. Primeiro, o óbvio, porque já está decidido porque não muda nada.

O que a maioria não sabe e que quebra muitos argumentos pró-diploma é que sua obrigatoriedade já está suspensa desde 2006, e desde lá nada mudou. Nosso jornalismo é péssimo? É, mas isso pouco tem a ver com a exigência ou não de um curso superior. Que, aliás, não vai deixar de existir, e cuja qualidade merece outros posts e muita atenção.

Diante de tudo o que tem se falado, estou chegando perto de formar minha opinião. A minha dificuldade em tomar um partido vem de dois argumentos principais. Para mim, todos os outros são quase dispensáveis – alguns, desculpem dizer, idiotas. De um lado, vejo a não obrigatoriedade do diploma como uma forma de democratizar o acesso aos meios de comunicação. Na medida em que o jornalismo não requer conhecimentos técnico-científicos, mas se trata de uma atividade intelectual, como salientou o Ministério Público, e diante do fato de que todos temos direito a expressar nossos pensamentos e ideias, parece justo que o jornalista não deva precisar de diploma. Devo acrescentar que pesa também pela não-obrigatoriedade a existência de jornalistas fantásticos sem o canudo embaixo do braço.

Por outro lado, tendo em vista a função social essencial do jornalismo, parece evidente que se garanta a qualidade da informação que é transmitida. Sem o acesso a uma faculdade, talvez não se tenha noção da necessidade de que uma informação esteja 100% checada antes de ser transmitida, por exemplo. E esse é apenas um dos fatores envolvidos. Se o acesso aos meios de comunicação deveria, de forma utópica, ser universal, é também socialmente muito importante que se garanta a qualidade do que se transmite. A questão é mesmo delicada.

Quero deixar claro que os dois argumentos a que me detenho dizem respeito à sociedade, ao bem comum, não a uma classe específica ou a apenas um profissional. Salário, mercado de trabalho, concorrência, essas são todas questões que envolvem mais uma regulamentação da profissão do que a exigência ou não de diploma.

Diante de todos esses argumentos, fico em um meio termo, talvez mais exigente do que se o diploma de jornalismo fosse de fato uma exigência. Vejo a democratização do acesso como uma utopia a ser atingida quando o nível de educação do Brasil atingir uma qualidade alta – mas reforço que devemos perseguir insistentemente essa meta. Defendo, então, uma posição mais parecida com a do jornalista Marcelo Tas. Acho que deve-se exigir a conclusão de um curso superior, não necessariamente o de jornalismo, com o acréscimo de uma pós-graduação em jornalismo. Sei que essa opção restringe ainda mais o acesso à voz no Brasil, mas vejo como recompensa uma informação de mais qualidade para a população. Por enquanto acho que compensa. Acho.

* O Jornalismo B convida para a exibição do filme Bukowski: Born into this, É um documentário sobre o escritor e jornalista Charles Bukowski, autor de Notas de um velho safado, O amor é um cão dos diabos, Mulheres, Hollywood, Cartas na rua, entre tantos outros...Vale apenas conferir!!!

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